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China Impõe Controles Comerciais a Dúzias de Empresas dos EUA

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Na quinta-feira, a China destacou dezenas de empresas dos Estados Unidos, incluindo Raytheon, Boeing e Lockheed Martin

O movimento foi a mais recente escalada na disputa entre Pequim e Washington sobre produtos considerados vitais para a segurança nacional. Na quinta-feira, a China destacou dezenas de empresas dos Estados Unidos, incluindo Raytheon, Boeing e Lockheed Martin, em uma série de medidas comerciais punitivas que podem aumentar as tensões entre as duas superpotências.

Faltando poucas semanas para a posse do presidente eleito Donald J. Trump, que prometeu impor novas tarifas e sanções à China, Pequim está mais uma vez mostrando que está pronta para revidar.

O Ministério do Comércio da China afirmou que adicionou 28 empresas a uma lista de controle de exportação para "salvaguardar a segurança e os interesses nacionais". Também proibiu a exportação de itens de uso duplo, que têm aplicações civis e militares, para essas empresas. Além disso, colocou 10 empresas em uma lista de “entidades não confiáveis” relacionadas à venda de armas para Taiwan, impedindo-as de realizar negócios na China e proibindo seus executivos de entrar ou viver no país.

As autoridades chinesas já haviam tomado medidas semelhantes — embora mais restritas — contra essas empresas no passado, a maioria das quais tem uma presença limitada na China, afirmou Andrew Gilholm, especialista em China da empresa de consultoria Control Risks.

“Muito disso é provavelmente simbólico porque muitas dessas entidades já estavam sujeitas a sanções”, disse ele. Mas, acrescentou, “o que estamos vendo é o aumento do escopo e do número de entidades adicionadas em uma única listagem”.

Entre as empresas mencionadas pela China estavam os principais fabricantes americanos de sistemas de defesa, incluindo Raytheon Missile Systems, Boeing Defense, Space and Security e Lockheed Martin Missiles and Fire Control. As empresas não responderam imediatamente aos pedidos de comentário enviados por e-mail.

Michael Hart, presidente da Câmara de Comércio Americana na China, afirmou que as autoridades chinesas geralmente têm cuidado para não tomar medidas que afetem diretamente os negócios das empresas que beneficiam a economia chinesa.

“Normalmente, as ações que a China toma não impactam as empresas que estão beneficiando a economia chinesa”, disse o Sr. Hart.

Pequim adotou uma postura cada vez mais agressiva enquanto se prepara para um segundo mandato presidencial com o Sr. Trump, crítico ferrenho da China e de sua força econômica. Reguladores chineses anunciaram uma investigação contra a empresa americana de chips Nvidia, proibiram a exportação de minerais raros para os Estados Unidos e tomaram medidas mais direcionadas contra empresas individuais para expor vulnerabilidades em suas cadeias de suprimentos.

As medidas fazem parte de um confronto econômico que se intensificou nos últimos meses. Isso começou durante o primeiro mandato do Sr. Trump, após ele ter imposto tarifas e restrições ao comércio com a China. Naquela época, Pequim tomou respostas majoritariamente simbólicas e medidas comedidas em retaliação.

Desde então, o governo Biden também ampliou suas restrições a empresas chinesas e impôs proibições a produtos de uso duplo, recentemente mirando 140 empresas chinesas. Na quinta-feira, o governo americano afirmou que estava considerando uma nova regra que poderia restringir ou banir drones chineses nos Estados Unidos.

Nos últimos anos, a China criou as bases legais para espelhar as táticas de Washington, criando listas negras e sanções que podem cortar empresas americanas de recursos críticos. Pequim agora demonstra maior disposição para agir, disse o Sr. Gilholm.

“O ritmo das coisas está acelerando. A cadência dessas medidas será mais frequente.”

 

O que isso significa para a economia de Moçambique?

A intensificação das tensões entre China e EUA pode ter impactos directos e indirectos na economia de Moçambique:

  1. Sectores que podem se beneficiar:

    • Mineração: Moçambique possui reservas significativas de minerais, como carvão e grafite, que podem ser alternativas aos minerais raros controlados pela China. Caso os EUA busquem diversificar suas fontes de fornecimento, empresas moçambicanas podem ganhar novos mercados.
    • Infraestrutura: A maior presença da China na África, incluindo Moçambique, pode se intensificar como forma de consolidar sua influência. Isso pode gerar investimentos chineses em infraestrutura local.
  2. Sectores que podem sofrer impactos negativos:

    • Exportação de produtos agrícolas: Se a desaceleração econômica global for exacerbada por essas tensões, a demanda por produtos agrícolas moçambicanos (como castanha de caju e carvão vegetal) pode cair.
    • Energia e gás natural: A dependência de tecnologias estrangeiras, muitas vezes ligadas a empresas americanas ou chinesas, pode complicar a operação e expansão do sector de gás natural liquefeito (GNL), vital para o crescimento econômico do país.

No geral, Moçambique deve equilibrar sua parceria econômica com a China, buscando diversificar sua base de parceiros comerciais para mitigar riscos associados a esse tipo de disputa global.

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