Venancio Mondlane Boicotam Novo Parlamento no Meio de Distúrbios
Em um giro dramático dos acontecimentos, Moçambique deu posse ao seu novo parlamento no meio de intensos protestos da oposição e uma greve nacional convocada pelo líder da oposição, Venâncio Mondlane.
Em um giro dramático dos acontecimentos, Moçambique deu posse ao seu novo parlamento no meio de intensos protestos da oposição e uma greve nacional convocada pelo líder da oposição, Venâncio Mondlane. Enquanto o país enfrenta uma das maiores crises políticas dos últimos tempos, as ruas de Maputo, geralmente movimentadas, estavam estranhamente silenciosas. Lojas permaneciam fechadas, e barricadas surgiam pela capital, enquanto os apoiantes de Mondlane faziam uma resistência contra o que consideram resultados eleitorais fraudulentos, que deram a vitória ao partido Frelimo, no poder há mais de 50 anos.
A cerimónia parlamentar, que empossou cerca de 250 deputados, incluindo representantes do Frelimo e do partido Podemos, foi boicotada pela oposição. Mondlane, que se tornou um símbolo de esperança para a juventude marginalizada de Moçambique, afirma que as eleições foram manipuladas em favor do Frelimo. Ele jura desafiar os resultados, alegando que venceu as presidenciais com 53% dos votos, muito acima dos 24% oficialmente atribuídos a ele.
No terreno, as tensões eram palpáveis. A polícia militar cercou o edifício do parlamento e bloqueou as principais estradas de acesso à área. Enquanto a cerimónia seguia, bastiões da oposição como o bairro de Matola assistiam a confrontos, com manifestantes atirando pedras e incendiando pneus, numa tentativa de interromper a posse. Apesar da violência e da instabilidade que têm marcado o país desde as eleições de outubro, o presidente cessante Filipe Nyusi e o presidente recém-eleito Daniel Chapo mantiveram-se firmes na defesa de que Moçambique precisa de unidade e estabilidade para avançar.
Os resultados oficiais proclamaram Chapo vencedor com 65% dos votos, mas Mondlane e os seus apoiantes consideram as eleições uma farsa, citando relatos generalizados de manipulação eleitoral. As apostas são altas, pois Mondlane e seus seguidores exigem "verdade eleitoral", recusando-se a aceitar a legitimidade do novo parlamento.
Os distúrbios que se seguiram às eleições causaram um grande impacto no país. Confrontos violentos tiraram a vida de cerca de 300 pessoas, e a economia de Moçambique sofreu severamente. O comércio transfronteiriço parou, enquanto indústrias como a mineração e o transporte marítimo enfrentam grandes dificuldades devido às perturbações. Mondlane, que regressou a Moçambique após um período de exílio após o assassinato do seu advogado, insiste que o diálogo ainda é possível e que está disponível para negociar uma solução, embora o governo o tenha excluído das conversações de paz.
À medida que o impasse político se aprofunda, o povo moçambicano encontra-se numa encruzilhada. Será que o apelo à unidade e ao diálogo prevalecerá, ou os gritos por justiça da oposição levarão o país a mais turbulência? Só o tempo dirá, enquanto as tensões continuam a aumentar e o futuro da democracia de Moçambique permanece em jogo.
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