USAID SUSPENDE TODOS OS PROJECTOS EM MOÇAMBIQUE, DEIXANDO O PAÍS EM ALERTA
A decisão executiva do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomada no dia 20 de janeiro, começa a provocar impactos em Moçambique.
A decisão executiva do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tomada no dia 20 de janeiro, começa a provocar impactos em Moçambique. Com efeitos imediatos, a ordem suspende quase toda a assistência estrangeira americana por um período de 90 dias, abrangendo áreas cruciais para o desenvolvimento e a saúde.
Na noite de 24 de janeiro, a Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) ordenou a paralisação de todos os seus projectos em Moçambique. Essa decisão inclui a suspensão de viagens entre Maputo e as províncias e deslocações internas entre capitais provinciais e distritos, impactando diretamente operações em curso no país.
A DIMENSÃO DOS IMPACTOS EM MOÇAMBIQUE
Anualmente, a USAID injeta cerca de 1 bilhão de dólares em áreas vitais como:
· Saúde: Programas de combate ao HIV/SIDA recebem 400 milhões de dólares anuais, fundamentais em um país com uma taxa de prevalência de 11,6%.
· Educação, saneamento e agricultura: Sectores que dependem fortemente do apoio externo para atender às necessidades de milhões de moçambicanos.
· Resposta a desastres naturais: A ajuda norte-americana foi crucial em situações como os ciclones Idai e Kenneth e, mais recentemente, no ciclone Dikeledi.
A suspensão ameaça projectos como o Compacto II da Millennium Challenge Corporation, avaliado em 537 milhões de dólares, dos quais 500 milhões são financiados pelo governo norte-americano. Este projeto inclui obras significativas na província da Zambézia, como a construção de uma nova ponte sobre o rio Licungo e uma estrada circular.
RISCO PARA O FUTURO DA SAÚDE PÚBLICA
Desde 2004, os Estados Unidos já investiram mais de 5,2 bilhões de dólares no combate ao HIV/SIDA em Moçambique. Com mais de um milhão de pessoas vivendo com a doença, a suspensão dos financiamentos pode reverter anos de progresso, ameaçando vidas e sobrecarregando um sistema de saúde já fragilizado.
A solidariedade americana também foi essencial no combate à COVID-19, com doações significativas de vacinas através da iniciativa COVAX. A retirada desse apoio deixa Moçambique em uma posição vulnerável para enfrentar futuras crises de saúde.
REAÇÕES INTERNACIONAIS E LOCAIS
A decisão foi comunicada às representações diplomáticas dos EUA através de um telegrama assinado pelo Secretário de Estado, Marco Rubio, que instrui a suspensão imediata de toda a assistência, com exceções apenas para assistência alimentar de emergência e financiamento militar a Israel e Egipto.
Enquanto isso, líderes locais e organizações da sociedade civil expressam preocupação com os impactos socioeconômicos dessa decisão, especialmente num momento em que o governo moçambicano enfrenta severos desafios fiscais.
UM MOMENTO CRÍTICO PARA MOÇAMBIQUE
A suspensão dos projectos financiados pela USAID representa um alerta para o futuro dos sectores sociais no país. Com investimentos cruciais congelados, a sustentabilidade de programas fundamentais está em risco, colocando em evidência a necessidade de alternativas urgentes para evitar o agravamento das condições de vida da população moçambicana.
Este é mais um capítulo delicado na relação entre Moçambique e os Estados Unidos, cujas decisões podem afetar profundamente o progresso alcançado nas últimas décadas.
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