MOÇAMBIQUE: EX-PRESIDENTE GUEBUZA APOIA DIÁLOGO ENTRE CHAPO E MONDLANE
O ex-presidente moçambicano Armando Guebuza defendeu ontem a necessidade de diálogo entre o chefe de Estado, Daniel Chapo, e Venâncio Mondlane, o ex-candidato presidencial que lidera um contestação aos resultados eleitorais.
O ex-presidente moçambicano Armando Guebuza defendeu ontem a necessidade de diálogo entre o chefe de Estado, Daniel Chapo, e Venâncio Mondlane, o ex-candidato presidencial que lidera um contestação aos resultados eleitorais.
"O Presidente Chapo já declarou que está pronto para falar com Venâncio Mondlane e Venâncio Mondlane também diz que quer falar. Vamos ver o que acontece quando eles conversarem," afirmou Guebuza aos jornalistas à margem das celebrações do Dia dos Heróis, em Maputo.
O presidente moçambicano, Daniel Chapo, está em conversações com partidos políticos para discutir reformas do Estado, incluindo alterações à lei eleitoral e à Constituição, uma iniciativa lançada pelo seu antecessor, Filipe Nyusi, em resposta à crise pós-eleitoral no país.
Na semana passada, Chapo anunciou que foi alcançado um consenso sobre os termos de referência para discutir as reformas, incluindo mudanças na lei eleitoral, após um encontro com quatro líderes partidários. No entanto, Venâncio Mondlane, que segundo o Conselho Constitucional foi o segundo candidato mais votado e que lidera a maior contestação aos resultados eleitorais desde as primeiras eleições em 1994, não participou da reunião.
Durante o seu discurso ontem nas celebrações do Dia dos Heróis, o Presidente Chapo prometeu ampliar a mesa de diálogo para resolver a crise pós-eleitoral, prevendo a inclusão de membros da sociedade civil e acadêmicos, mas sem mencionar Mondlane.
"A primeira fase do diálogo envolve partidos políticos com assentos no parlamento e, posteriormente, incluirá membros da sociedade civil, associações cívicas, religiosas e profissionais, bem como a academia, para que juntos possamos encontrar soluções conjuntas para o Moçambique que queremos," declarou Chapo.
Na sexta-feira, a Missão de Observação da União Europeia às eleições gerais de outubro em Moçambique afirmou que qualquer solução para a crise pós-eleitoral no país deverá incluir Venâncio Mondlane no diálogo.
"Acredito que não há solução política para esta crise sem um diálogo verdadeiramente inclusivo e no qual Venâncio Mondlane participe," disse Laura Ballarín, chefe da missão da União Europeia, durante uma conferência de imprensa em Maputo para apresentar o relatório final da missão.
Desde 21 de outubro, Moçambique vive um clima de tensão social, com protestos e greves convocados pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane. Confrontos violentos entre a polícia e manifestantes resultaram em pelo menos 315 mortos, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 750 feridos por disparos, segundo a plataforma eleitoral Decide, uma organização não-governamental que monitora os processos eleitorais no país.
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