Redução da Taxa MIMO Não Abaixa a Prime Rate: Política Monetária Ineficiente ou Bancos a Protegerem Seus Lucros?
A recente redução da taxa de política monetária (taxa MIMO) de 12,75% para 12,25% pelo Banco de Moçambique (BM) gerou expectativas de um alívio nas condições de crédito para a economia. No entanto, a Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano, que serve de referência para as operações de crédito com taxa de juro variável, permaneceu inalterada em 19,00% em fevereiro de 2025, conforme anunciado pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
A recente redução da taxa de política monetária (taxa MIMO) de 12,75% para 12,25% pelo Banco de Moçambique (BM) gerou expectativas de um alívio nas condições de crédito para a economia. No entanto, a Prime Rate do Sistema Financeiro Moçambicano, que serve de referência para as operações de crédito com taxa de juro variável, permaneceu inalterada em 19,00% em fevereiro de 2025, conforme anunciado pela Associação Moçambicana de Bancos (AMB).
A medida do BM visou aumentar a liquidez no sistema financeiro, com o objectivo de apoiar a recuperação da capacidade produtiva do país, severamente afectada por tensões políticas pós-eleitorais, choques climáticos e riscos fiscais. Embora a redução da taxa MIMO seja uma tentativa clara de estimular o crédito e a oferta de bens e serviços, a Prime Rate permanece elevada, o que levanta questões sobre a eficácia da política monetária no estímulo à economia.
Especialistas questionam se essa falta de reflexo nas taxas de juros cobradas pelos bancos pode ser atribuída a uma política monetária ineficiente ou se os próprios bancos estão adotando uma postura de protecção de seus lucros. O Prémio de Custo, que representa o risco associado às operações bancárias, foi calculado em 6,20% e é somado ao Indexante Único de 12,80%, resultando na Prime Rate. Porém, críticos alegam que os bancos estão usando a justificativa do risco para manter os spreads elevados, mesmo com a redução da taxa MIMO.
O crescimento do crédito à economia em 7,3% entre janeiro e novembro de 2024, apesar do aumento da inflacção, demonstra que a política monetária expansionista tem algum efeito, mas a falta de alinhamento entre a taxa MIMO e a Prime Rate pode frustrar a recuperação desejada.
Em meio ao cenário de dívida pública crescente e inflacção em ascensão, a questão permanece: será que o sistema bancário de Moçambique está verdadeiramente alinhado com as intenções do Banco Central, ou os bancos estão priorizando seus próprios interesses financeiros? A situação exige uma análise crítica e uma maior transparência no ajuste das taxas de juros, para garantir que a política monetária beneficie de facto a economia e os cidadãos moçambicanos.
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