Moçambique: Protestos ‘quase destruíram’ 40% do sector manufactureiro
O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) afirmou nesta quinta-feira que os protestos pós-eleitorais “quase destruíram” 40% do sector manufactureiro do país e, por isso, defendeu uma política macroeconómica sólida na fase de recuperação.
O presidente da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA) afirmou nesta quinta-feira que os protestos pós-eleitorais “quase destruíram” 40% do sector manufactureiro do país e, por isso, defendeu uma política macroeconómica sólida na fase de recuperação.
Enfatizando o papel que a CTA tem desempenhado na recolha de informações “que afetam a macroeconomia” de Moçambique, Agostinho Vuma declarou, em conferência de imprensa, que a confederação está “ciente de que discursos emocionais podem assustar o mercado”, razão pela qual apelou ao patriotismo “na busca de uma solução” para o mercado, “especialmente após esta onda de violência que quase matou 30% a 40% do sector manufactureiro moçambicano”.
Em dezembro, a CTA disse à Lusa que mais de 500 empresas foram vandalizadas durante as manifestações pós-eleitorais e que pelo menos 12.000 pessoas ficaram desempregadas.
O presidente da organização afirmou hoje que o sector privado está numa fase de recuperação após as manifestações violentas que ocorrem em Moçambique desde outubro e que, neste momento, a presença de uma política macroeconómica sólida é “muito necessária”.
“Queremos que o Banco de Moçambique esteja alinhado com a visão do governo recentemente instalado, combatendo a inércia, aumentando a produção e também enfrentando situações que prejudiquem a macroeconomia, para financiar o mercado produtivo”, disse Vuma.
O presidente da CTA revelou que 67 empresas e gestores reuniram-se com o presidente de Moçambique, Daniel Chapo. Nesse encontro, o sector privado concordou em integrar o grupo governamental que está a avaliar os impactos dos protestos.
“Tivemos acordos muito bons. Estamos a trabalhar com o governo e já não podemos anunciar os resultados, pois há um grupo específico envolvido nisso, que estamos a desenvolver com o sector público”, concluiu, justificando a não divulgação de novos dados sobre o impacto dos protestos no sector.
Desde 21 de outubro, Moçambique vive um clima de grave agitação social, protestos, manifestações e paralisações convocadas pelo ex-candidato presidencial Venâncio Mondlane. Estes eventos têm resultado em confrontos violentos entre a polícia e os manifestantes.
Pelo menos 327 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e cerca de 750 pessoas foram baleadas durante os protestos em Moçambique, segundo a plataforma eleitoral Decide, uma organização não-governamental que monitora processos eleitorais.
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