Venâncio Mondlane vai criar partido político este ano
O antigo candidato presidencial moçambicano Venâncio Mondlane anunciou na sexta-feira que vai criar o seu próprio partido político, após romper a sua relação com o partido Podemos, com o qual tinha um “acordo político” para as eleições de outubro passado.
Maputo, 10 de Fevereiro de 2025 – O antigo candidato presidencial moçambicano Venâncio Mondlane anunciou na sexta-feira que vai criar o seu próprio partido político, após romper a sua relação com o partido Podemos, com o qual tinha um “acordo político” para as eleições de outubro passado.
"Este ano vamos ter o nosso próprio partido", declarou Mondlane, sem avançar mais detalhes, discursando da cabine de um veículo diante de milhares de pessoas no centro de Chibuto, na província de Gaza, sul de Moçambique.
A decisão surge na sequência de divergências entre Mondlane e a liderança do partido Optimistas pelo Desenvolvimento de Moçambique (Podemos), uma força política que ganhou popularidade desde que anunciou, a 21 de agosto de 2024, o seu apoio à candidatura de Mondlane nas eleições presidenciais de 9 de outubro.
"Este ano vamos apresentar o nosso próprio partido. Nada de dar boleia a penduras", afirmou o político moçambicano, sendo aplaudido por milhares de apoiantes que o acompanharam pelas ruas de um dos principais distritos de uma província considerada o "bastião" do partido no poder, a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo).
O "acordo político" entre Mondlane e o Podemos foi firmado pouco depois de o Conselho Constitucional ter rejeitado a sua Coligação Aliança Democrática (CAD) por "irregularidades".
Nas eleições de 9 de outubro, o Podemos, que nunca teve representação parlamentar desde a sua criação em 2019, tornou-se o maior partido da oposição em Moçambique, retirando um estatuto que pertencia à Resistência Nacional Moçambicana (Renamo) desde as primeiras eleições multipartidárias em 1994.
No novo parlamento, dos 250 assentos, o Podemos conta com 43 deputados, a Renamo com 28 e o MDM com oito, enquanto a Frelimo, no poder desde a independência, mantém a maioria parlamentar, com 171 deputados.
Na terça-feira, o assessor de Mondlane, que já trabalhou com os três principais partidos políticos moçambicanos, anunciou o fim da relação com o Podemos, acusando o partido de "trair a luta do povo".
"Como, para nós, nem tudo na vida é dinheiro e cargos, e em respeito pela dor de milhares de moçambicanos que pagaram com o seu sangue, membros mutilados, raptos, execuções sumárias e extrajudiciais ou mesmo privação da liberdade, renunciamos [a todos] os direitos e prerrogativas em favor do partido Podemos", lê-se num documento do autoproclamado "Gabinete do presidente eleito pelo povo", assinado por Dinis Tivane, assessor de Mondlane.
No documento, o Podemos é acusado de ter adulterado o acordo político que existia entre as duas partes e criticado por participar no diálogo para a resolução da crise pós-eleitoral promovido pelo Presidente da República, Daniel Chapo, sem apresentar "uma agenda concreta ou propor termos de referência".
O porta-voz do Governo e ministro da Administração Estatal e Função Pública, Inocêncio Impissa, apelou hoje, durante uma conferência de imprensa em Maputo, para que Mondlane participe no processo de pacificação do país, mas salientou que "não se pode esperar que ele seja convocado [para o diálogo] como se fosse representante de um partido", acrescentando: "o que sabemos é que ele não pertence a nenhum partido".
Moçambique tem vivido uma forte agitação social desde outubro, com manifestações e paralisações inicialmente convocadas por Venâncio Mondlane, que rejeita os resultados das eleições que deram a vitória a Daniel Chapo, candidato apoiado pela Frelimo.
Atualmente, protestos de pequena escala ocorrem em diferentes partes do país e, além da contestação dos resultados eleitorais, a população reclama do aumento do custo de vida e de outros problemas sociais.
Desde outubro, pelo menos 327 pessoas morreram, incluindo cerca de duas dezenas de menores, e aproximadamente 750 foram baleadas durante os protestos, segundo a plataforma eleitoral Decide, uma organização não-governamental que acompanha processos eleitorais.
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