EUA e Rússia agendam encontro em Riade para discutir o fim da guerra na Ucrânia e a restauração das relações bilaterais.
As autoridades de ambos os países se reunirão na próxima terça-feira, numa conversa que promete ser a mais significativa até ao momento entre os antigos adversários da Guerra Fria.
As autoridades de ambos os países se reunirão na próxima terça-feira, numa conversa que promete ser a mais significativa até ao momento entre os antigos adversários da Guerra Fria. O diálogo poderá abrir caminho para um eventual encontro entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder russo, Vladimir Putin, com o objectivo de restabelecer a totalidade dos laços entre as duas nações.
Durante as negociações, o ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, dialogará com altos representantes americanos, incluindo o secretário de Estado Marco Rubio, o conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, Mike Waltz, e o enviado para o Oriente Médio, Steve Witkoff. O foco das conversações será encontrar uma forma de pôr termo ao conflito na Ucrânia e reconstruir as relações bilaterais, algo que, segundo Moscovo, poderá beneficiar também o ambiente económico global. Yuri Ushakov, conselheiro de política externa de Putin, pode integrar a delegação para discutir questões económicas, tendo em conta que a saída de empresas dos EUA da Rússia já gerou prejuízos na ordem dos 300 mil milhões de dólares.
Kirill Dmitriev, à frente do fundo soberano russo, elogiou Trump, descrevendo-o como um “solucionador de problemas” que tem conseguido enfrentar desafios de forma rápida e eficaz. Dmitriev, que se formou nos EUA e trabalhou no Goldman Sachs, participou dos primeiros contactos entre Moscovo e Washington durante o primeiro mandato de Trump (2016-2020).
Embora Kiev não tenha sido convidada e afirme que nenhum acordo de paz pode ser negociado em seu nome, Moscovo espera que os EUA escutem a sua posição no debate sobre a Ucrânia. Essa iniciativa surge num contexto em que os líderes europeus se reuniram recentemente em Paris para definir uma estratégia unificada, após terem sido surpreendidos pela proposta de Trump de iniciar conversações imediatas com Putin. Durante o encontro em Paris, ficou sublinhada a necessidade de se investir na defesa e de se obter garantias de segurança para a Ucrânia, com vozes como a do primeiro-ministro britânico Keir Starmer e do enviado para a Ucrânia, Keith Kellogg, a enfatizarem que um compromisso de segurança dos EUA é crucial para que os países europeus possam efectivamente contribuir para a paz.
A reunião em Riade, que ocorre pouco mais de um mês após a posse de Trump, marca uma mudança significativa na postura adotada pela administração anterior, liderada por Joe Biden, que evitava contatos públicos com Moscovo, considerando a posição russa pouco propensa a buscar uma resolução para o conflito. Moscovo, que ocupa partes da Ucrânia desde 2014 e lançou uma invasão em larga escala em fevereiro de 2022, vê nestas conversações uma oportunidade para discutir não só a situação na Ucrânia, mas também a remoção de barreiras ao comércio e ao investimento, tema que já foi abordado em conversas anteriores entre Lavrov e Rubio.
Além disso, Riade tem desempenhado um papel mediador, tendo facilitado contactos iniciais entre a administração Trump e Moscovo, como na recente troca de prisioneiros. Enquanto o cenário internacional se adapta a estas novas iniciativas, os países europeus reafirmam o seu apoio à segurança da Ucrânia e a necessidade de cooperação estreita com os EUA para garantir a estabilidade na região.
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