Crise Pós eleitoral leva a Queda da Robustez empresarial no IV Trimestre 2024
Após as turbulentas eleições de outubro de 2024, Moçambique enfrenta uma crise que vai além dos números, refletindo a dor e a incerteza vividas por milhões. As manifestações violentas, que deixaram aproximadamente 300 mortos e 600 feridos, desestabilizaram não apenas o ambiente social, mas também o tecido econômico do país.
Após as turbulentas eleições de outubro de 2024, Moçambique enfrenta uma crise que vai além dos números, refletindo a dor e a incerteza vividas por milhões. As manifestações violentas, que deixaram aproximadamente 300 mortos e 600 feridos, desestabilizaram não apenas o ambiente social, mas também o tecido econômico do país.
O Índice de Robustez Empresarial Nacional despencou de 30% para 25% no quarto trimestre de 2024, o mais baixo indice já registado em Moçambique. Esses dados são um reflexo directo do caos instaurado pelas manifestações. Esses índices, que simbolizam a saúde dos negócios, ilustram a fragilidade de um sector vital para a economia moçambicana.
Os impactos da crise são claramente evidentes nos indicadores de desempenho das empresas. No terceiro trimestre de 2024, os dados apontavam para uma lucratividade de 0,97, uma produtividade de -0,03 e uma margem de lucro de -0,08. Contudo, com o agravamento da crise, esses índices se deterioraram: a lucratividade caiu para 0,92, a produtividade para -0,09 e a margem de lucro despencou para -0,20. Esses números não são meras estatísticas, mas sim o retrato de empresários e trabalhadores que enfrentam um mercado em colapso.
Para entender melhor, a lucratividade reflete a capacidade das empresas de transformar receita em lucro. A queda de 0,97 para 0,92 indica que, a cada unidade de receita, as empresas estão retendo menos lucro, sinalizando dificuldades em gerir custos e manter a competitividade. Já a produtividade, que mediu um desempenho de -0,03 no trimestre anterior e piorou para -0,09, revela uma significativa perda de eficiência operacional. Esse declínio sugere que as empresas estão produzindo menos com os recursos disponíveis, possivelmente devido a interrupções na cadeia de suprimentos e desafios logísticos exacerbados pela instabilidade.
Por fim, a margem de lucro, que passou de -0,08 para -0,20, demonstra que os prejuízos estão se aprofundando. Essa deterioração acentuada evidencia que os custos operacionais estão subindo e a procura tem caído, fazendo com que as perdas se ampliem. Em conjunto, esses indicadores pintam um quadro sombrio: a crise não só abalou a confiança do sector empresarial, mas também corroeu a capacidade das empresas de operar de maneira rentável e eficiente
A instabilidade e os altos custos operacionais se refletiram directamente no aumento da inflacção, que saiu de 2,68% em setembro para 4,15% em dezembro de 2024. Esse cenário se deve à elevação dos preços dos combustíveis, à escassez de divisas e aos desafios logísticos que encareceram insumos e produtos essenciais, afectando o cotidiano dos cidadãos.
Diante desse cenário devastador, a destruição de empreendimentos e a paralisação das actividades econômicas deixaram marcas profundas na esperança de uma nação. A crise pós-eleitoral revelou a vulnerabilidade do ambiente de negócios, exigindo uma resposta urgente e coordenada entre governo, sector privado e sociedade para restabelecer a estabilidade e reconstruir um futuro promissor para Moçambique.
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