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Política Monetária e Controlo da Inflacção: Um Farol em Meio à Turbulência

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Moçambique atravessa um momento decisivo na sua economia. Após anos de inflação elevada e crédito oneroso, o cenário começou a mudar significativamente em 2024. A inflacção, que no terceiro trimestre de 2023 se situava nos 9,32%, recuou para 3,28% no final de 2024 – um progresso notável para a estabilidade macroeconómica.

Moçambique atravessa um momento decisivo na sua economia. Após anos de inflação elevada e crédito oneroso, o cenário começou a mudar significativamente em 2024. A inflacção, que no terceiro trimestre de 2023 se situava nos 9,32%, recuou para 3,28% no final de 2024 – um progresso notável para a estabilidade macroeconómica. Esta descida não ocorreu por acaso, mas sim como resultado de uma política monetária restritiva e de medidas estratégicas para conter os preços.

Ao longo de 2024, as taxas de juro, que anteriormente restringiam o acesso ao crédito e desincentivavam o investimento, registaram uma descida significativa. A Prime Rate, fixada em 23,36% no início do ano, reduziu-se para 20,00% no final do período, criando condições para a recuperação económica ao aliviar a pressão financeira sobre empresas e famílias.

No entanto, há um reverso nesta evolução. Enquanto o Banco de Moçambique mantinha o foco na contenção da inflacção, o crédito líquido ao governo registou um aumento expressivo, passando de 159.920,8 mil milhões de MZN no terceiro trimestre para 244.103,2 mil milhões de MZN no quarto trimestre de 2024. Este crescimento do endividamento público pode ser interpretado como um esforço para reequilibrar as contas ou financiar investimentos prioritários, mas levanta igualmente preocupações sobre a sua sustentabilidade no longo prazo.

Além disso, a instabilidade política no último trimestre do ano gerou impacto significativo na economia, minando a confiança dos investidores. Embora a inflacção tenha continuado a cair e as taxas de juro tenham proporcionado algum alívio, os distúrbios resultaram em perdas estimadas em 32,2 mil milhões de MZN, com a indústria (45,16%), comércio e serviços (29,38%) e hotelaria e restauração (11,80%) entre os sectores mais prejudicados. Aproximadamente 40% das empresas detinham empréstimos até 2,5 milhões de MZN, e 70% destas não antecipam uma recuperação a curto prazo. O mercado de trabalho também foi fortemente afectado, com mais de 16.000 postos de trabalho perdidos, sendo os transportes e logística (16.433) e o comércio e serviços (5.231) os sectores mais atingidos.

O prolongamento das manifestações pós-eleitorais, incluindo bloqueios em fronteiras e portos estratégicos, agravou as perdas no turismo, desviou o tráfego de carga e interrompeu cadeias de abastecimento essenciais para o sector comercial. Como resultado, o crescimento económico poderá ser revisto em baixa para 2,7%, lançando incertezas sobre a sustentabilidade da recuperação e reforçando a necessidade de medidas que restabeleçam a estabilidade política e institucional no país.

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