Grad shape
Grad shape
351 - 0

Presidente de Moçambique acusa rival de impor "ditadura" com protestos

presidente-de-mocambique-acusa-rival-de-impor-ditadura-com-protestos

Num país democrático, não podemos ter uma ditadura onde se obriga as pessoas a fazer o que não querem, como vestir-se de preto todos os dias ou bater panelas conforme determinado por alguém”, afirmou Chapo. “Isso não é liberdade, mas sim imposição.”

O Presidente de Moçambique, Daniel Chapo, criticou na quinta-feira os contínuos apelos do seu principal opositor nas eleições presidenciais de Outubro, Venâncio Mondlane, para que a população realizasse manifestações com o uso de panelas e roupas pretas, classificando essas acções como uma forma de “ditadura” e de restrição da liberdade individual.

“Num país democrático, não podemos ter uma ditadura onde se obriga as pessoas a fazer o que não querem, como vestir-se de preto todos os dias ou bater panelas conforme determinado por alguém”, afirmou Chapo. “Isso não é liberdade, mas sim imposição.”

Desde Outubro, Mondlane tem promovido diversas manifestações e paralisações em contestação aos resultados eleitorais oficiais, incentivando acções como buzinar, utilizar vuvuzelas e vestir preto, alegando que estas medidas visam restaurar a “verdade eleitoral” e combater o que considera uma fraude generalizada conduzida pelo governo da Frelimo.

Durante uma conferência de imprensa em Cabo Delgado, ao encerrar uma visita de trabalho de três dias, Chapo – que concorreu às eleições pela Frelimo – voltou a condenar os protestos, classificando-os como “ilegais, violentos e prejudiciais ao país”.

“Vimos actos de violência em Xai-Xai, em Inhambane e, em menor escala, na cidade de Maputo, onde se obriga comerciantes a definir preços de produtos sem considerar os custos reais de aquisição. Isso impede que as pessoas vendam os seus bens de forma justa, o que, na verdade, configura uma ditadura”, afirmou.

O Presidente apelou à consciência dos moçambicanos, alertando que “destruir o próprio país não é forma de construí-lo”, apesar das diferenças políticas existentes.

“Incendiar escolas, que pertencem à população, atacar centros de saúde e queimar pneus nas estradas para depois reclamar que estas estão em más condições, mostra uma contradição perigosa”, acrescentou.

Desde o fim das eleições, Moçambique tem registado uma onda de manifestações, muitas das quais convocadas por Mondlane. Apesar da diminuição da intensidade dos protestos, estes ainda ocorrem em várias partes do país, com manifestantes denunciando não apenas os resultados eleitorais, mas também o agravamento do custo de vida e outras dificuldades sociais.

De acordo com a Plataforma Eleitoral Decide, uma organização não-governamental que acompanha o processo eleitoral, pelo menos 353 pessoas morreram desde Outubro, incluindo cerca de 20 menores, e aproximadamente 3.500 ficaram feridas nos protestos.

O governo, no entanto, reconhece um número menor de vítimas, confirmando pelo menos 80 mortos, além da destruição de 1.677 estabelecimentos comerciais, 177 escolas e 23 unidades de saúde durante os distúrbios.

5 minutos de leitura
Compartilhe esta postagem:
0

Comentários

Não há comentários ainda. Seja o primeiro a comentar!

Por favor, dê sua opinião!
Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *.