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Protestos afectam turismo em Ponta D’Ouro e sector hoteleiro em Moçambique

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Operadores turísticos em Ponta D’Ouro enfrentam uma crise devido à queda no número de visitantes desde o início dos protestos no país.

Operadores turísticos em Ponta D’Ouro enfrentam uma crise devido à queda no número de visitantes desde o início dos protestos no país. Embora nenhum estabelecimento tenha sido vandalizado ou saqueado, as manifestações, bloqueios rodoviários e a incerteza generalizada afastaram tanto os turistas como instituições que antes organizavam conferências e eventos na região.

Celma Issufo, presidente do Conselho Empresarial de Matutuíne, expressou preocupação com o impacto financeiro sobre os negócios locais:

"Nenhum cliente quer viajar sem saber se conseguirá regressar a casa ou se haverá bloqueios nas estradas. Com esta incerteza, ninguém quer gastar dinheiro em turismo. Não sabemos como será o dia de amanhã", afirmou.

A ausência de turistas resultou em praias vazias, restaurantes sem clientes e hotéis com baixa ocupação. Pequenos negócios, como vendedores de artesanato, também sentem os efeitos da crise. Muitos operadores já enfrentam dificuldades para pagar salários e outras despesas operacionais, sendo forçados a negociar com fornecedores e recorrer a medidas de contenção, como o encerramento temporário em alguns dias da semana.

Impacto mais amplo no turismo e hotelaria

A crise em Ponta D’Ouro reflecte uma tendência nacional. De acordo com o relatório do IV trimestre de 2024 da Confederação das Associações Económicas de Moçambique (CTA), o sector do turismo foi um dos mais afectados pelas manifestações e pela instabilidade política pós-eleitoral. Durante o período, registou-se um aumento exponencial no cancelamento de reservas:

  • Outubro: 25% de cancelamentos
  • Novembro: 50% de cancelamentos
  • Dezembro: mais de 90% de cancelamentos

A queda drástica no número de turistas impactou fortemente os negócios hoteleiros, levando algumas unidades a operarem abaixo de 5% da capacidade. A retração do sector não se limitou ao turismo de lazer, mas também ao turismo corporativo, com empresas evitando realizar eventos e conferências no país.

Além disso, o aumento dos custos operacionais agravou ainda mais a situação. O relatório da CTA indica que os preços de matérias-primas e insumos para a confecção de refeições subiram significativamente, enquanto os custos de transporte e logística dispararam devido a bloqueios e vandalização de infra-estruturas.

Perspectivas e desafios para 2025

Com a aproximação da Páscoa, um dos períodos de maior movimento turístico, operadores esperam uma recuperação parcial, desde que a situação se estabilize. No entanto, desafios estruturais persistem. O sector hoteleiro continua a enfrentar problemas como a degradação das vias de acesso, dificuldades no abastecimento de bens essenciais e a escassez de divisas, que compromete a importação de insumos básicos.

As manifestações pós-eleitorais resultaram numa perda estimada de 32,2 mil milhões de meticais para o sector empresarial moçambicano, com o turismo e a hotelaria entre os mais afectados. A CTA propôs medidas de mitigação, incluindo incentivos fiscais, facilitação de acesso a crédito e revisão das tarifas de electricidade para hotéis e resorts.

Em suma, enquanto a incerteza política persistir, a recuperação do turismo em Ponta D’Ouro e em todo o país permanecerá um desafio. A estabilização do ambiente de negócios e a implementação de medidas eficazes serão cruciais para evitar mais perdas e restaurar a confiança dos visitantes.

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