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Venâncio Mondlane não estava em fuga

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Segundo ele, o primeiro motivo foi um convite do conselheiro da SADC e de ONGs para participar de um fórum de três dias, que reuniu líderes e influenciadores políticos com o objectivo de fortalecer a cooperação regional. O segundo motivo foi a visita do ex-presidente de Botswana, Ian Khama, experiência que Mondlane descreveu como “uma das experiências mais espetaculares que já vivi”.

Na noite de segunda-feira, 10 de março, às 20h, Venâncio Mondlane foi entrevistado ao vivo no Aeroporto Internacional de Mavalane, em Maputo.

Questionado sobre os motivos que o levaram a deixar o país, Mondlane explicou:
— “Basicamente, existem três razões que me levaram a viajar.”

Segundo ele, o primeiro motivo foi um convite do conselheiro da SADC e de ONGs para participar de um fórum de três dias, que reuniu líderes e influenciadores políticos com o objectivo de fortalecer a cooperação regional.
O segundo motivo foi a visita do ex-presidente de Botswana, Ian Khama, experiência que Mondlane descreveu como “uma das experiências mais espetaculares que já vivi”.
Por fim, o terceiro motivo envolveu uma parceria estratégica com a Mediaone TV – um canal global com sede na Índia, também presente em Botswana, para a troca de informações privilegiadas.
Ele enfatizou que jamais teve a intenção de fugir do país.

Mondlane afirmou ainda:
“Nunca, em nenhuma hipótese, pretendo fugir do país. Desde o dia 9 de janeiro de 2025, quando cheguei a Moçambique, defini claramente meus objectivos.”

Entre esses objectivos, estava o de confrontar a justiça. Acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) – que, segundo ele, iniciou processos sem notificá-lo – Mondlane decidiu apresentar-se perante o tribunal para responder a todas as acusações. Além disso, ele quis demonstrar sua disponibilidade para participar do diálogo político e a urgência de estar próximo do povo, em meio a casos de sequestros, assassinatos e à violência registrada, por exemplo, na província de Tete, onde “valas comuns” foram usadas para enterrar vítimas.

Mondlane também destacou que, na mesma noite, dois assassinatos em Macinga agravaram o clima de insegurança, citando ainda a postura do presidente Daniel Chapo, de Pemba, que afirmou enfrentar manifestações “mesmo que fosse necessário jorrar sangue”. Durante uma marcha de celebração, ele relatou que ordens foram dadas para “jorrar sangue”, inclusive o seu.

Por fim, Mondlane denunciou a inércia da PGR diante de atentados contra sua vida e de denúncias de uso indevido de bens públicos, acusando a instituição de servir a interesses políticos de um único partido.
Ele concluiu afirmando que a legitimidade do governo não se conquista pela força, mas “ganhando o coração do povo”.

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