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Redução da taxa MIMO de 15.00% para 14.25% e seus impactos na economia

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No corolário das suas obrigações em impulsionar a economia, o banco de Moçambique reduz a taxa mimo (taxa básica de juros que serve como instrumento de política monetária para dinamizar a economia no seu todo) de 15.00% para 14.25%.

No corolário das suas obrigações em impulsionar a economia, o banco de Moçambique reduz a taxa mimo (taxa básica de juros que serve como instrumento de política monetária para dinamizar a economia no seu todo) de 15.00% para 14.25%.

Assim, esta redução tem impactos significativos em diversas esferas da economia, estimulando os empréstimos, investimentos e consumo, influenciando no comportamento económico dos consumidores e das empresas a curto, médio e longo prazo. Assim, referencia-se os impactos:

1.      Curto Prazo

A queda da taxa de juros, geralmente reduz o custo dos empréstimos para as empresas e para os consumidores, estimulando o investimento e o consumo. Outrossim, há valorização dos activos que pode pressionar para que haja uma apreciação dos preços dos activos como acções e imóveis, pois os investidores buscam retornos maiores em outros lugares, dada a menor atractividade dos investimentos em renda fixa.

Com a redução da taxa de juros, o custo de oportunidade de investir em renda fixa diminui, tornando as acções mais atraentes. Isso geralmente leva a um aumento rápido nos preços das acções, a medida que os investidores procuram retornos mais altos nos mercados de acções. Assim, aumenta o apetite por risco, os investidores tendem a mover seus fundos para activos mais arriscados (como acções) na busca por melhores retornos. Com o aumento da disponibilidade de crédito e da liquidez no sistema financeiro, permite com que mais dinheiro flua para o mercado de acções impulsionando ainda mais os preços das acções, assim, as empresas com menores custos de financiamento podem melhorar seus resultados operacionais e perspectivas de lucro.

A queda da taxa de juros, pode aumentar expectativas de inflação, uma vez que o aumento do consumo e dos investimentos pode pressionar os preços, bem como pode ocorrer uma desvalorização da moeda doméstica, já que a taxa de retorno dos investimentos no país diminui relativamente a outras economias com taxas de juros mais altas, assim pode criar fugas de capitais, tornando os activos financeiros domésticos menos atraentes e consequentemente reduz as reservas internacionais, limitando a capacidade de resposta do banco central em crises futuras.

2.      Médio Prazo

 No médio prazo, esta redução estimula o crescimento económico, facilitando o acesso ao crédito para as empresas, incentivando novos investimentos em infraestruturas, tecnologia e expansão dos negócios em sectores produtivos como construção civil, bens duráveis e consumo que são sensíveis ao custo de crédito.

O consumo das famílias tende a aumentar, impulsionando a demanda agregada. O aumento da demanda agregada pode exceder a capacidade de oferta, havendo um risco de inflação. Caso haja sinais de superaquecimento da economia, pode resultar em aumento futuro da taxa MIMO.

A taxa MIMO em baixa, pode beneficiar governos com alta dívida pública, pagando menos em seus compromissos de dívida, o que pode resultar em mais espaço fiscal para investimentos públicos.

No mercado das acções, haverá continuidade de valorização do preço das acções embora a um ritmo mais sustentado, sendo que as empresas podem mostrar um crescimento consistente devido ao ambiente macroeconómico favorável. Esta valorização aumenta a demanda por acções, podendo atrair investidores estrangeiros. Ademais, os investidores podem reavaliar e realocar seus portfólios para optimizar o retorno ajustado ao risco potencialmente criando volatilidade no mercado accionário.

 3.      Longo Prazo

No longo prazo, esta redução estimula o desenvolvimento económico sustentável, isto só ocorre se conseguir equilibrar o crescimento económico e inflação.

Esta queda de taxas de juros, reestrutura a economia, promovendo sectores inovadores e de alto valor agregado com base nos investimentos contínuos facilitados por um custo de capital mais baixo.

Uma política prolongada de taxas de juros baixas pode ter efeitos na distribuição de renda, beneficiando potencialmente aqueles com acesso a activos financeiros e crédito, mas também pode ampliar a dívida das famílias mais vulneráveis.

No mercado de acções, à longo prazo, haverá uma avaliação de sustentabilidade do crescimento das acções com base nos fundamentos económicos, sendo que as empresas precisam de continuar a mostrar o aumento de receita e lucro de forma consistente para que a valorização das acções seja sustentável. Assim, um longo período de taxas de juros baixas, pode levar a uma reestruturação dos mercados de capitais (com maior ênfase no mercado das acções e menor dependência de renda fixa), podendo fomentar o desenvolvimento de novos produtos financeiros e estratégias de investimentos.

A redução da taxa MIMO tende a ter efeitos positivos no crescimento económico, no acesso ao crédito, na valorização das acções e no aumento de apetite por risco no curto e médio prazo, mas deve ser monitorada cuidadosamente para evitar pressões inflacionárias e garantir um crescimento sustentável a longo prazo. A sustentabilidade depende da saúde económica das empresas, da estabilidade macroeconómica e de possíveis ajustes futuros da política monetária.

 

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