Trump propõe divisão de activos estratégicos para encerrar guerra entre Rússia e Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os negociadores encarregados de pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia já discutiram a possibilidade de "partilhar certos activos". Durante uma declaração a bordo do Air Force One.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que os negociadores encarregados de pôr fim à guerra entre a Rússia e a Ucrânia já discutiram a possibilidade de "partilhar certos activos". Durante uma declaração a bordo do Air Force One, Trump anunciou que irá conversar com o presidente russo, Vladimir Putin, na próxima terça-feira, reforçando os esforços para terminar o conflito.
Na semana passada, depois de a Ucrânia ter aceite um cessar-fogo de 30 dias proposto pelos EUA, a decisão passou a estar a cargo da Rússia. Segundo Trump, "estamos a ter bons progressos com a Rússia", e ele acredita que até terça-feira possa haver um anúncio positivo. Durante o voo de regresso à Casa Branca, referiu o intenso trabalho realizado ao longo do fim-de-semana, afirmando: "Talvez consigamos, talvez não, mas penso que temos uma boa hipótese."
O presidente detalhou que os negociadores já identificaram os principais temas a serem discutidos, entre os quais se destaca a questão territorial – que "é muito diferente do que era antes da guerra" – e a distribuição de activos estratégicos, como as usinas de energia. "Acho que já se discutiu bastante isto, tanto do lado da Ucrânia como do lado da Rússia. Já estamos a falar sobre isto – a partilha de certos activos," afirmou Trump.
A resposta de Putin à proposta de cessar-fogo, apoiada pela administração Trump, tem sido ambígua. Embora o líder russo tenha declarado que Moscovo concorda com a ideia em princípio, impôs condições rigorosas e exigiu concessões de Kiev, reiterando que o governo ucraniano atual é parte da "causa fundamental" do conflito.
As negociações entre representantes dos EUA, da Ucrânia e da Rússia continuarão ao longo desta semana. Na semana passada, o Kremlin anunciou que negociadores americanos se deslocariam a Rússia para avançar as conversações, sem revelar detalhes sobre os participantes. O conflito, que teve início com a anexação de partes da Ucrânia pela Rússia em 2014 e se intensificou com a invasão total em 2022, é considerado o maior confronto terrestre na Europa desde a Segunda Guerra Mundial. Segundo análises da CNN, a Ucrânia perdeu cerca de 11% do seu território desde o início da invasão.
Um dos pontos mais delicados das negociações diz respeito às concessões territoriais. Autoridades americanas já sinalizaram que a Ucrânia provavelmente terá de ceder parte do seu território para que o conflito chegue ao fim, condição que Putin deixou claro ser imprescindível para o estabelecimento do cessar-fogo. Contudo, a ideia de abrir mão de territórios é inaceitável para o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e tem causado preocupação entre os líderes europeus, que temem que se recompense a agressão russa. Por outro lado, Moscovo não demonstra intenção de devolver os territórios atualmente ocupados.
A postura de Trump, que demonstra disposição para conceder vantagens a Moscovo antes mesmo do início formal das negociações, tem abalado os aliados da OTAN em Europa, que passam a questionar a confiança nas garantias de segurança que os EUA têm proporcionado há décadas.
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