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Crise de Combustível em Cabo Delgado Revela Desafios de Infraestrutura e Gestão de Recursos em Moçambique

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O colapso da ponte Mecuburi na província de Nampula, provocado pelo Ciclone Jude, mergulhou Pemba, capital da província de Cabo Delgado, rica em recursos naturais, em uma grave escassez de combustível.

O colapso da ponte Mecuburi na província de Nampula, provocado pelo Ciclone Jude, mergulhou Pemba, capital da província de Cabo Delgado, rica em recursos naturais, em uma grave escassez de combustível. Embora a crise imediata derive da interrupção das rotas rodoviárias, economistas da EDUC alertam que o caos revela fragilidades sistêmicas na infraestrutura de transporte de Moçambique e a falha em aproveitar os recursos energéticos locais para amortecer tais choques. 

A destruição da ponte cortou a principal ligação terrestre entre Pemba e as rotas de abastecimento do sul, paralisando o fluxo de combustível e bens essenciais. Com caminhões-tanque bloqueados, os preços do combustível em Pemba dispararam, atingindo 95 meticais por litro (cerca de US$ 1,50) nos postos oficiais—quase o dobro do preço no vizinho Malawi. No mercado informal, especuladores cobram 100 meticais por meio litro. 

A crise expõe os riscos da excessiva dependência de Moçambique do transporte rodoviário, responsável por mais de 90% do frete doméstico. "Depender de um único corredor é uma receita para a fragilidade econômica", argumenta o economista Amós Clifton Maúre. "Investimentos em transporte costeiro e infraestrutura aérea poderiam reduzir esses riscos, mas o progresso continua estagnado." Alternativas marítimas, embora usadas esporadicamente, enfrentam portos subdesenvolvidos, enquanto o transporte aéreo continua extremamente alto. 

O preço alto de combustivel em pemba intesificaram desafios sociais, com trabalhadores enfrentando dificuldates para se deslocar ao emprego e escolas registando queda na frêquencia estudantil. Motorista de chapá Francisco André lamenta: "Meus ganhos diários mal cobrem o custo do combustível." As tarifas de transporte público dispararam, com rotas de Pemba para cidades vizinhas dobrando de preço. Pequenos negócios relatam atrasos nas entregas, e vendedores informais—uma tábua de salvação para muitos—lutam para reabastecer. 

A crise de combustível em Cabo Delgado traz risco de queda de 10–20% no PIB trimestral (Banco Mundial), agravando a inflacção de 12% de 2023 (Banco de Moçambique). O colapso de vias como a ponte Mecuburi exige investimentos urgentes em ferrovias e portos para reduzir a dependência rodoviária. 

Ironicamente, Cabo Delgado possui vastas reservas offshore de gás natural e depósitos onshore de petróleo ainda não explorados. Apesar de uma década de prospecção, a capacidade doméstica de refino permanece insignificante, obrigando Moçambique a exportar petróleo bruto e reimportar derivados refinados a preços elevados, um paradoxo que drena divisas e amplia dependências externas. 

Críticos acusam o governo de lentidão no desenvolvimento de infraestrutura de refino. Embora multinacionais como a TotalEnergies tenham investido US$ 20 mil milhões em projectos de gás natural liquefeito (GNL), o foco é na exportação, não na segurança energética doméstica. Uma refinaria planejada para Pemba, anunciada em 2019, continua parada. 

A crise reacendeu demandas por reformas urgentes. Associações empresariais pressionam por reparos acelerados da ponte Mecuburi e envio emergencial de combustível por via marítima. A longo prazo, porém, stakeholders enfatizam a diversificação: 

1. Revitalizar o Transporte Costeiro: Modernizar portos em Pemba e Nacala para cargas regionais. 

2. Acelerar Projectos de Refino: Agilizar parcerias público-privadas para processar hidrocarbonetos locais. 

3. Regular Preços: Implementar medidas antiespeculação e subsídios para sectores críticos de transporte. 

4. Reforçar a Segurança em Cabo Delgado: Neutralizar grupos insurgentes e garantir estabilidade para investimentos.

Enquanto os moradores de Pemba enfrentam filas por combustível, a lição é clara: Diversificar infraestrutura e gerir recursos estrategicamente não são apenas prioridades econômicas mais são imperativos para a estabilidade nacional.

 

Por: Amós clifton Maúre 

Data: 19 de Março de 2025

 

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