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Trump, Tarifas e o Despertar Africano: Um Novo Tabuleiro Geopolítico

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Trump anunciou recentemente um aumento de 25% sobre veículos importados, além de 18% sobre exportações oriundas do Zimbabwe, ao mesmo tempo em que suspendeu as operações da USAID em vários países africanos, uma medida que impacta directamente sectores como saúde, educação e desenvolvimento rural.

Washington / Pequim / Harare / Maputo – À medida que o Presidente norte-americano Donald Trump intensifica a sua política comercial com tarifas agressivas, o mundo entra num ciclo de tensões económicas globais – e África, mais uma vez, encontra-se à margem, observando.

Trump anunciou recentemente um aumento de 25% sobre veículos importados, além de 18% sobre exportações oriundas do Zimbabwe, ao mesmo tempo em que suspendeu as operações da USAID em vários países africanos, uma medida que impacta directamente sectores como saúde, educação e desenvolvimento rural.

Enquanto isso, a China respondeu com um contra-ataque tarifário de 34% sobre produtos americanos, num sinal claro de escalada da guerra comercial. Empresas como a Land Rover já suspenderam exportações para mercados afectados, enquanto bolsas de valores globais registam quedas acentuadas.

Mas será esta uma simples guerra comercial ou parte de uma estratégia geoeconómica mais ambiciosa? Alguns analistas consideram que se trata de uma “negociação em alta voltagem”, onde o objectivo é reposicionar os centros de poder económico global.

E onde está a África neste debate? Ainda no papel de espectadora, de acordo com observadores. “O continente está sem energia, enquanto outros jogam com alta tensão”, aponta um analista económico citado no LinkedIn.

A resposta do Presidente do Zimbabwe, Emmerson Mnangagwa, foi inesperada: após sofrer as novas tarifas de Trump, o líder zimbabweano retirou todas as tarifas sobre produtos americanos, numa tentativa de reequilibrar relações bilaterais.

“É coragem, diplomacia estratégica ou sobrevivência?”, perguntam-se especialistas. Seja qual for a motivação, foi uma acção concreta – e solitária – no contexto africano.

Moçambique, por exemplo, impõe actualmente 31% em tarifas e barreiras sobre produtos dos EUA, enquanto os Estados Unidos aplicam apenas 16% com múltiplos descontos. O desequilíbrio é evidente, mas a reacção africana permanece tímida.

Com o avanço silencioso, mas eficaz, da China em investimentos e influência em África, os sinais de transição de poder global estão no ar. Para alguns, o fim da USAID não é apenas simbólico – é um aviso claro: África precisa construir a sua própria independência económica.

Com instrumentos como a SADC e a AfCFTA já estabelecidos, o continente africano possui os meios necessários para iniciar um processo de industrialização, integração e fortalecimento regional. O que falta é vontade política e coragem para agir.

 

 

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