Crescimento de 5,4% do PIB impulsiona China, mas tarifas dos EUA ameaçam a recuperação econômico-comercial
A economia chinesa surpreendeu no primeiro trimestre deste ano ao registrar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,4%, superando as previsões dos analistas. No entanto, a conjuntura global permanece tensa: o aumento das tarifas dos Estados Unidos para 145% e as medidas retaliatórias de Pequim, que impôs taxas de até 125% sobre produtos norte-americanos, colocam em xeque a estabilidade de um cenário que já enfrenta desafios internos.
A economia chinesa surpreendeu no primeiro trimestre deste ano ao registrar um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 5,4%, superando as previsões dos analistas. No entanto, a conjuntura global permanece tensa: o aumento das tarifas dos Estados Unidos para 145% e as medidas retaliatórias de Pequim, que impôs taxas de até 125% sobre produtos norte-americanos, colocam em xeque a estabilidade de um cenário que já enfrenta desafios internos. O desenvolvimento foi impulsionado pelo consumo robusto e por uma industrialização em recuperação, mas o ambiente externo, marcado pela intensificação da guerra comercial, pode abrandar significativamente o ritmo econômico chinês. Essa dinâmica coloca em xeque não só as metas de crescimento futuras, como também o panorama para investidores e agentes financeiros no mercado internacional.
Segundo dados divulgados em 16 de abril, a produção fabril teve alta expressiva de 7,7% no mês de março, enquanto as vendas a retalho avançaram 5,9%, reflexo de um consumo interno aquecido. Ainda que os indicadores de curto prazo sinalizem recuperação, o sector imobiliário, vital para a estrutura econômica do país, permanece sob pressão, com investimentos recuando quase 10% no período. Essa retração, aliada ao persistente desemprego entre os jovens e a deflação, ressalta uma vulnerabilidade que pode afectar a sustentabilidade desse crescimento aparente.
A escalada na disputa comercial entre China e Estados Unidos contribuiu para revisões negativas nas projeções de crescimento para os próximos anos. Instituições financeiras internacionais já repensaram as suas estimativas: o Australia and New Zealand Banking Group Limited (ANZ) reduziu a previsão para 2025 de 4,8% para 4,2%, enquanto o UBS Group AG (UBS) chegou à conclusão de que, caso o conflito tarifário se mantenha, o crescimento possa se estabilizar em torno de 3,4%. Esses ajustes refletem um cenário de incerteza, onde o choque tarifário sobre as exportações chinesas impõe desafios que podem reverberar por todo o sector industrial e comercial.
Em resposta a este panorama complexo, o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, enfatizou a necessidade de intensificar os estímulos à economia, com foco no fortalecimento do consumo interno, em um momento em que exportadores enfrentam “mudanças externas profundas”. A análise dos especialistas aponta para a possibilidade de uma intervenção estatal robusta, reminiscente das políticas adotadas em momentos anteriores de crise, como na crise financeira de 2008 e durante a pandemia de COVID-19. Essa estratégia de estímulos fiscais e monetários se configura como um imperativo para mitigar os impactos negativos gerados tanto pelo ambiente interno enfraquecido quanto pelas tensões nas relações comerciais com os Estados Unidos.
Fonte: O Económico
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