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Do Tesouro ao Terreno: yields em alta, tarifas em pausa

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os investidores dirigiram‑se às obrigações do Tesouro norte‑americano, tradicionalmente um porto seguro em tempos turbulentos.

Os rendimentos dos títulos de dívida do Tesouro norte‑americano registaram uma subida inédita este mês de Abril, levando a Administração Trump a anunciar uma pausa de 90 dias na imposição de novas tarifas, com excepção das aplicadas à China.

Inicialmente, após o anúncio das tarifas a 2 de Abril, os investidores recorreram às obrigações do Tesouro como refúgio habitual em períodos de instabilidade. No entanto, quando as tarifas entraram em vigor no dia  5 de Abril e o Presidente reforçou a retórica proteccionista nos dias seguintes, o mercado reagiu de forma inesperada: houve uma venda em massa dos títulos, fazendo subir os juros das obrigações a 10 anos de 3,9 % para 4,5 %. As obrigações a 30 anos aproximaram-se dos 5 %, movimentos significativos num mercado que normalmente regista variações mínimas.

Este aumento nos rendimentos reflecte uma maior percepção de risco entre os investidores, que passaram a exigir compensações mais elevadas para emprestar ao Governo. A pressão estendeu-se ao crédito comercial e pessoal, afectando taxas de juro de hipotecas, cartões de crédito e financiamentos a empresas. Pequenos empresários, que frequentemente utilizam o valor das suas casas como garantia, foram particularmente impactados.

Com receios crescentes de que os custos de financiamento pudessem travar o crescimento económico e gerar perdas de emprego, o sector financeiro e líderes empresariais manifestaram preocupação junto ao Departamento do Tesouro. Segundo relatos, o Secretário do Tesouro desempenhou um papel central ao comunicar o impacto directo ao Presidente.

Na sequência dessa pressão e da deterioração no mercado de dívida, a Casa Branca recuou parcialmente, suspendendo por 90 dias a aplicação das novas tarifas sobre a maioria dos países, mantendo apenas a tarifa de 10 % sobre as importações chinesas. A evolução confirma que, mesmo sendo discretas, as obrigações continuam a ter um papel determinante na estabilidade económica e nas decisões políticas de maior alcance.

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