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Protecionismo dos EUA Derruba a Indústria Global e Desafia a Resiliência dos Emergentes

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O impacto das tarifas protecionistas lançadas pela administração Trump tem-se traduzido numa desaceleração coordenada da produção industrial a nível global.

O impacto das tarifas protecionistas lançadas pela administração Trump tem-se traduzido numa desaceleração coordenada da produção industrial a nível global, com empresas a adiarem projectos e a ajustarem as suas cadeias de abastecimento perante um enquadramento tarifário ainda incerto. De acordo com relatórios recentes, a actividade da indústria de transformação nos Estados Unidos retraiu-se com intensidade inédita nos últimos cinco meses, reflexo do encarecimento das importações e da insegurança quanto a futuros níveis de taxação. Na China, o PMI, Purchasing Managers’ Index, ou Índice de Gestores de Compras,  registou uma contracção pronunciada, a mais acentuada desde Dezembro de 2023. Este indicador baseia-se numa sondagem mensal junto dos responsáveis pelas aquisições nas empresas, que avaliam elementos como novos pedidos, produção, emprego, prazos de entrega de fornecedores e existências de matérias-primas; valores acima de 50 apontam para expansão da actividade e valores abaixo de 50 sinalizam contracção.

Em regiões como o Sudeste Asiático, mercados da Tailândia, Malásia e Indonésia viram os seus indicadores do sector da indústria de transformação sofrerem declínios significativos, comprimindo margens e pressionando cadeias logísticas já fragilizadas. Na América Latina, o índice de actividade caiu para níveis próximos da estagnação – o México desceu para um PMI de 44,8 e o Brasil para 50,3 – enquanto na África do Sul a actividade contraiu-se pelo sexto mês consecutivo. A intervenção no porto de Los Angeles, um dos principais pontos de entrada de produtos asiáticos, confirma que a adaptação a estes choques requer tempo e investimento, pois a reconfiguração das rotas de fornecimento não ocorre de um dia para o outro.

Paradoxalmente, alguns produtores conseguiram alargar as suas margens em Abril, beneficiando de preços de venda mais elevados ao mesmo tempo que os custos de matérias-primas descenderam; um fenómeno considerado, no entanto, transitório, já que o redireccionamento de mercadorias chinesas para mercados alternativos, como o europeu, tende a apertar os preços. Para operadores e investidores, o maior risco reside na perda de confiança: as empresas referem um adiamento generalizado de decisões estratégicas, desde novos investimentos até ao reforço da capacidade produtiva, na expectativa de que um eventual acordo comercial dissipe a incerteza.

Em países emergentes como Moçambique, onde a industrialização ainda dá os seus primeiros passos e a logística de distribuição se mantém vulnerável, estes desenvolvimentos constituem um alerta para diversificar mercados, investir em infra-estruturas de cadeia de frio e aumentar a capacidade institucional de resposta a choques externos. Num contexto cada vez mais fragmentado, a resiliência dos sistemas produtivos será, muito provavelmente, o factor decisivo para sustentar o crescimento a médio prazo.

Fonte: O Económico.

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