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Redução Industrial na África do Sul Deixa Gás Moçambicano em Suspenso

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A dependência de longo prazo da África do Sul em relação ao gás natural proveniente de Moçambique chegará ao fim em 2026, segundo confirmou hoje o Ministro da Electricidade, Kgosientsho Ramokgopa. Entre 2026 e 2028, prevê-se uma redução acentuada da produção nos campos de Pande, o que deixará o país perante uma grave escassez de energia, precisamente num momento em que as políticas comerciais internacionais já haviam pressionado as reservas em divisas e atrasado o investimento em alternativas.

A dependência de longo prazo da África do Sul em relação ao gás natural proveniente de Moçambique chegará ao fim em 2026, segundo confirmou hoje o Ministro da Electricidade, Kgosientsho Ramokgopa. Entre 2026 e 2028, prevê-se uma redução acentuada da produção nos campos de Pande, o que deixará o país perante uma grave escassez de energia, precisamente num momento em que as políticas comerciais internacionais já haviam pressionado as reservas em divisas e atrasado o investimento em alternativas.

Actualmente, a África do Sul importa cerca de 160 petajoules de gás por ano de Pande, o que representa mais de 85 % do seu consumo nacional, sendo que o maior consumidor industrial utiliza sozinho cerca de 125 PJ para alimentar centrais térmicas, indústrias químicas e grandes unidades fabris. Este corredor de fornecimento garante mais de 13 000 empregos directos e contribui com aproximadamente 5 % do PIB. À medida que as reservas diminuem, as empresas eléctricas terão de procurar rapidamente novas fontes de gás base e as fábricas que dependem de um fornecimento estável enfrentarão o risco de desaceleração ou mesmo paragem de actividade.

A urgência desta situação resulta da convergência de três factores principais. Em primeiro lugar, o declínio natural dos reservatórios de Pande: após duas décadas de produção relativamente constante, a pressão do aquífero está a baixar e, sem a perfuração de poços suplementares ou a aplicação de técnicas de recuperação avançada, a produção irá desabar de forma abrupta após 2026. Em segundo lugar, o investimento crónico insuficiente em infraestruturas alternativas: na última década, a África do Sul adiou repetidamente projectos de terminais de GNL em terra e de armazenamento de longo prazo, ficando sem qualquer amortecedor interno para atenuar eventuais falhas de abastecimento. Os investidores privados apontam para a incerteza quanto ao regime tarifário, aos processos de licenciamento e à regulamentação como principais entraves. Por fim, e talvez de modo mais insidioso, a redução dos ganhos com exportações em consequência das tarifas norte-americanas. As taxas de 25 % no aço e de 10 % no alumínio, aplicadas em 2018 ao abrigo do Section 232, fizeram cair as exportações sul-africanas para os EUA em quase 30 % em 2019. Essas perdas enfraqueceram o rand e esgotaram as reservas em moeda estrangeira, o que levou credores públicos e privados a adiar ou cancelar o financiamento de projectos intensivos em capital, como os terminais de importação de GNL.

O Ministro Ramokgopa alerta que este défice de gás representa simultaneamente “uma crise e uma oportunidade”. Por essa razão, apelou ao Governo e à indústria para acelerar a construção dos terminais de GNL em Richards Bay e Coega, simplificando os processos de aprovação ambiental e oferecendo mecanismos de financiamento misto que reduzam o risco para o sector privado. Em paralelo, sublinhou a necessidade de diversificar as fontes de abastecimento, negociando contratos pontuais com produtores de GNL no Qatar e nos Estados Unidos e explorando interligações de gasodutos através da Namíbia ou da Tanzânia. No plano da procura, considerou essencial intensificar os programas de eficiência energética, alargar os incentivos à cogeração industrial e promover projectos-piloto de biogás e de hidrogénio verde, de modo a mitigar o consumo total de gás.

Faltando menos de dois anos para o abrupto declínio dos campos de Pande, a África do Sul tem de reconciliar as consequências das suas anteriores políticas comerciais com uma estratégia ousada de transição energética, sob pena de assistir a cortes de energia e à paralisação de sectores industriais chave.

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