Governo Demite Direcção da LAM e Nomeia Novo Comité de Gestão
O Governo moçambicano, através do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), anunciou nesta terça-feira a demissão imediata do Conselho de Administração da companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e a criação de um Comité de Gestão que será liderado pelo gestor sérvio Dane Kondic.
Maputo, 14 de Maio de 2025 – O Governo moçambicano, através do Instituto de Gestão das Participações do Estado (IGEPE), anunciou nesta terça-feira a demissão imediata do Conselho de Administração da companhia Linhas Aéreas de Moçambique (LAM) e a criação de um Comité de Gestão que será liderado pelo gestor Sérvio Dane Kondic. A decisão foi tomada durante uma Assembleia Geral Extraordinária da empresa, no âmbito do processo de revitalização urgente da transportadora estatal.
Foram exonerados com efeitos imediatos Marcelino Gildo Alberto, que presidia o Conselho de Administração, bem como os administradores Altino Xavier Mavile e Bruno Miranda. Em substituição, o Governo aprovou a criação de um Comité de Gestão com funções executivas, subordinado a um novo Conselho de Administração não-executivo composto por representantes das empresas estatais CFM, HCB e EMOSE, que recentemente se tornaram accionistas da LAM.
Dane Kondic, que já liderou a Air Serbia e integrou a administração da EuroAtlantic Airways, foi escolhido para presidir o novo comité. A sua nomeação representa uma tentativa clara de profissionalizar a gestão da companhia e afastar interesses instalados que, segundo o Presidente da República, têm travado a reestruturação da empresa em benefício próprio.
Durante o balanço dos primeiros 100 dias de governação, o Presidente Daniel Chapo denunciou publicamente a existência de corrupção dentro da LAM, referindo que havia “raposas a guardar o galinheiro”. Segundo Chapo, há funcionários e dirigentes com conflitos de interesse que sabotaram a compra de três novas aeronaves para a empresa, favorecendo o aluguer externo de aviões em troca de comissões ilegais. O Presidente revelou que uma delegação da empresa viajou para a Europa com fundos dos novos accionistas e voltou ao país sem sequer ter inspecionado uma única aeronave, comportamento que classificou de “ilógico e inaceitável”.
Além da mudança na estrutura de governação, o Governo confirmou que irá realizar uma auditoria forense às contas da LAM dos últimos dez anos, com o objectivo de identificar responsabilidades e corrigir as fragilidades estruturais da empresa. Está também previsto um processo abrangente de reestruturação que inclui a aquisição de novas aeronaves, melhoria da gestão e revisão da força laboral.
Com cerca de 900 trabalhadores e uma história marcada por dificuldades operacionais, atrasos e manutenção deficiente, a LAM tem sido alvo de fortes críticas nos últimos anos. A intervenção agora anunciada pretende resgatar a companhia do colapso e devolvê-la à sua missão estratégica enquanto transportadora de bandeira nacional. O desafio, porém, será restaurar a confiança do público e garantir que a empresa volte a operar com profissionalismo, sustentabilidade e transparência.
FONTE: AIM
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