Grad shape
Grad shape
213 - 0

Banco de Moçambique reduz MIMO abaixo de 10% pela primeira vez desde 2017

banco-de-mocambique-reduz-mimo-abaixo-de-10-pela-primeira-vez-desde-2017

Pela primeira vez desde a sua criação, em 2017, a taxa de juro de política monetária (MIMO) caiu abaixo de 10%, fixando-se em 9,75%. O marco assinala um momento histórico na condução da política monetária em Moçambique, depois de anos em que a taxa chegou a superar 20% no auge das pressões inflaccionárias.

O Banco de Moçambique justificou a decisão com a melhoria das perspetivas macroeconómicas, destacando a inflacção controlada em um dígito, a estabilidade cambial e a tendência de queda dos preços internacionais de mercadorias. Em agosto de 2025, a inflacção anual fixou-se em 4,8%, após 4,0% em julho, enquanto a inflacção subjacente — que exclui frutas, vegetais e bens administrados — aumentou ligeiramente, mas ainda dentro dos limites de estabilidade.

De acordo com o Comité de Política Monetária (CPMO), a manutenção da inflacção em níveis baixos reflete “a postura da política monetária, a estabilidade do metical e a tendência de redução dos preços internacionais de mercadorias”.

No plano económico, o Banco Central prevê um crescimento moderado no médio prazo, ainda que a actividade sem o gás natural liquefeito (GNL) tenha registado contracções consecutivas: –1,7% no segundo trimestre de 2025, após –4,9% no primeiro trimestre. Incluindo o GNL, o PIB registou uma variação positiva de 0,9%, depois de crescer 3,9% no trimestre anterior, sinalizando uma recuperação parcial da economia.

Apesar do alívio monetário, os riscos permanecem elevados. A dívida pública interna continua a aumentar, atingindo 454,4 mil milhões de meticais em setembro, mais 38,8 mil milhões do que em dezembro de 2024. O CPMO alertou que o crescimento do endividamento interno pode limitar a eficácia da política monetária e condicionar o normal funcionamento do mercado de títulos do Estado.

A decisão de cortar a MIMO abre espaço para uma descida da Prime Rate, taxa de referência usada pelos bancos comerciais, e deverá pressionar em baixa as taxas dos Bilhetes do Tesouro (BTS), que funcionam como base para os próximos cupões das obrigações do Estado. Na prática, o governo poderá financiar-se a custos mais baixos, mas a disciplina fiscal será essencial para sustentar a trajetória de confiança agora reforçada pelo Banco Central.

O corte agora anunciado também sinaliza o início de uma nova fase de normalização monetária, depois de vários anos em que a taxa MIMO foi mantida em níveis de dois dígitos para travar as pressões inflacionárias e estabilizar o metical. A próxima reunião do CPMO está marcada para 20 de novembro de 2025, altura em que o mercado avaliará se este alívio monetário terá impacto duradouro nas taxas de juro da economia.

5 minutos de leitura
Compartilhe esta postagem:
0

Comentários

Não há comentários ainda. Seja o primeiro a comentar!

Por favor, dê sua opinião!
Seu endereço de e-mail não será publicado. Os campos obrigatórios estão marcados com *.