Redução da MIMO para 9,75% conduzirá a queda das taxas de obrigações e pode beneficiar os preços das acções
A decisão do Banco de Moçambique de reduzir a taxa de juro de política monetária (MIMO) de 10,25% para 9,75% deverá desencadear uma descida generalizada das taxas aplicadas aos títulos de renda fixa, com destaque para os Bilhetes do Tesouro (BTS) e as Obrigações do Estado.
O mecanismo de transmissão é conhecido: cortes na MIMO tendem a reduzir a Prime Rate, referência usada pelos bancos comerciais, pressionando em baixa as taxas de colocação dos BTS, que servem de base para o rendimento dos cupões das obrigações.
O histórico confirma esta relação. Entre 2017 e 2018, quando a MIMO foi fixada acima dos 20% no auge das pressões inflacionárias, a Prime Rate subiu para níveis superiores a 27% e os BTS chegaram a ser emitidos com taxas acima de 23%. Com a estabilização da inflação em 2019 e 2020, a MIMO caiu para a faixa dos 12–13%, a Prime Rate para cerca de 18–19% e os BTS para níveis abaixo de 15%. Já em 2022 e 2023, em plena crise internacional marcada pela guerra na Ucrânia e pelas pressões cambiais, a MIMO voltou a subir até 17,25%, elevando a Prime Rate para mais de 22% e os BTS para taxas próximas de 20%. Mais recentemente, em 2024 e 2025, a inflacção em um dígito e a estabilidade cambial permitiram ao Banco Central retomar o ciclo de descida, primeiro para 10,25% e agora para 9,75%, pela primeira vez abaixo de 10% desde a criação da MIMO em 2017.
Com esta redução, o sector empresarial deverá beneficiar de custos de financiamento mais baixos, estimulando o investimento produtivo e aliviando a pressão sobre a tesouraria das empresas. Ao mesmo tempo, o mercado de capitais poderá assistir a uma valorização dos preços, uma vez que a descida das taxas de renda fixa (Obrigações) tende a tornar os títulos de renda variável (acções) mais atrativos, redirecionando o interesse dos investidores para ações e outros instrumentos de maior risco e retorno.
Apesar dos efeitos positivos esperados, subsistem riscos importantes, sobretudo o crescimento da dívida pública interna, que já atingiu 454,4 mil milhões de meticais em setembro, e as incertezas externas relacionadas com a evolução da economia global e dos preços das mercadorias.
Ainda assim, a decisão representa um sinal de confiança do Banco de Moçambique na trajetória da inflacção e poderá marcar o início de um ciclo mais favorável ao crescimento económico e à dinamização do mercado financeiro moçambicano, tanto no segmento da dívida como no das acções.
Comentários
afonso
2 months, 2 weeks atrásEu gostaria de trabalhar