OURO CAI 0,5% E TESTA A CONFIANÇA DOS INVESTIDORES
O ouro perdeu algum brilho esta quarta-feira, ao recuar 0,5%, para 4.107,41 dólares por onça, após atingir o valor mais alto em quase três semanas. O movimento reflete uma fase de correção técnica marcada pela recuperação do dólar e pela tomada de lucros por parte dos investidores, depois de uma forte sequência de ganhos impulsionados pelas expectativas de cortes nas taxas de juro pela Reserva Federal (Fed) dos Estados Unidos.
Os futuros de Dezembro também registaram leve retração, caindo 0,1%, para 4.113,80 dólares por onça, segundo dados das 04h21 GMT. O índice do dólar subiu 0,1%, interrompendo uma sequência de cinco dias de perdas e tornando o ouro menos atractivo para quem opera noutras moedas.
“O ouro mantém uma trajetória de consolidação acima dos 4.100 dólares, o que indica força técnica, mas a recuperação do dólar está a travar os ganhos no curto prazo”, explicou Tim Waterer, analista-chefe da KCM Trade.
A inversão da tendência coincidiu com a aprovação, pelo Senado norte-americano, do acordo que restabelece o financiamento federal após o mais longo encerramento governamental da história do país — facto que reforçou a confiança na economia norte-americana e valorizou a moeda.
Apesar do recuo, o sentimento de mercado continua optimista. Segundo o CME FedWatch Tool, os investidores atribuem 68% de probabilidade de que a Fed reduza as taxas de juro em 25 pontos base em Dezembro, face aos 64% registados na sessão anterior. Um cenário de taxas mais baixas tende a favorecer o ouro, por reduzir o custo de oportunidade de deter activos não remunerados.
No mercado físico, o SPDR Gold Trust — o maior fundo de ouro transaccionado em bolsa — aumentou as suas reservas em 0,41%, para 1.046,36 toneladas, sinalizando que o apetite por activos de refúgio ainda permanece sólido entre os investidores institucionais.
Entre os outros metais preciosos, a prata caiu 0,4%, para 51,05 USD/oz, o platina recuou 0,4%, para 1.578,95 USD/oz, e o paládio desvalorizou quase 1%, para 1.431,47 USD/oz.
“O ouro continua a ser o refúgio preferido em tempos de incerteza monetária global. A correção de hoje não muda o quadro de fundo: se os dados macroeconómicos dos EUA confirmarem uma desaceleração, o metal pode facilmente recuperar o impulso”, acrescentou Waterer.
Com a recuperação do dólar e as expectativas de corte das taxas a dividirem o sentimento do mercado, o ouro entra agora numa fase de consolidação delicada, testando a confiança dos investidores e mantendo o estatuto de activo de segurança num cenário global volátil.
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