Acções da TROPIGÁLIA caem para 90 MZN, o nível mais baixo desde Junho
As acções da TROPIGÁLIA cairam ontem, 13 de Outubro, para 90,00 meticais, regressando ao nível mais baixo desde 12 de Junho, quando o título havia registado exactamente o mesmo valor. A queda ocorre após uma sequência irregular de desvalorizações, marcada por uma primeira descida de 120,00 MZN para 95,00 MZN no dia 4 de Novembro, seguida de nova queda para 94 MZN no dia 5, patamar onde o preço permaneceu estável até 11 de Novembro.
A 12 de Novembro, o título voltou a ascender para 100 MZN, num movimento que sugeria uma possível recuperação técnica e a retoma do intervalo normal de negociação (100,00 MZN a 130,00 MZN). Porém, essa reacção revelou-se temporária, culminando na queda abrupta para 90 MZN, anulando completamente os sinais de recuperação e devolvendo a acção à sua base anual de Junho.
O comportamento recente acentuou as perdas acumuladas. Actualmente, a acção regista uma variação diária de –10,00%, uma variação semanal de –4,26%, uma variação mensal de –25,00% e uma perda de –10,00% nos últimos seis meses.
A queda contrasta com o ciclo de valorização que marcou grande parte de 2025. Após atingir o mínimo anual de 75 MZN a 15 de Abril, a TROPIGÁLIA entrou num período de forte recuperação, alcançando 144,95 MZN a 14 de Setembro antes de estabilizar no máximo anual de 150 MZN. A rápida inversão deste movimento reforça a volatilidade extrema associada ao título.
A sessão de ontem voltou a expor um dos principais problemas estruturais do activo: a baixa liquidez. O volume transaccionado foi de apenas 4.410,00 MZN, reforçando a sensibilidade do título a vendas concentradas. Nos últimos 30 dias, a TROPIGÁLIA permaneceu fora da lista das 3 acções mais negociadas, dominada por CMH-C, CDM, HCB, o que contribui para oscilações desproporcionais e movimentos sem ligação directa a eventos fundamentais.
Até ao momento, não existem justificações oficiais, comunicados da empresa ou alterações nos fundamentos que expliquem a queda registada. A ausência de causas claras leva analistas a considerar que o movimento pode estar relacionado com uma procura excepcional de liquidez por parte de alguns investidores, fenómeno comum em activos de rotação reduzida.
Do ponto de vista fundamental, o cenário continua desfavorável. De acordo com especialistas da EDUC INVEST, com base no Relatório Financeiro de 2024, o preço justo da acção da TROPIGÁLIA situa-se entre 60 e 85 MZN, indicando que mesmo após a queda para 90 MZN, o título ainda se encontra acima do seu valor fundamental. Lucros negativos, rácios P/L e LPA desfavoráveis, múltiplo P/VPA elevado, margens operacionais reduzidas e caixa líquida negativa reforçam a interpretação de que a empresa apresenta fragilidades estruturais ainda não reflectidas no preço de mercado.
Embora alguns indicadores, como o P/SR, se mostrem alinhados com o volume de receitas, estes não compensam o risco financeiro e a ausência de criação de valor para os accionistas. Assim, a EDUC INVEST prevê que, a médio prazo, a acção tenda a ajustar-se para o intervalo entre 60 e 85 MZN, considerado o ponto de equilíbrio fundamental.
A queda para 90 meticais reforça a incerteza em torno da TROPIGÁLIA e relança o debate sobre a sua resiliência num mercado de fraca liquidez e elevada volatilidade. As próximas sessões serão decisivas para determinar se o movimento representa o início de uma tendência descendente mais prolongada ou apenas mais um desvio pontual num título que, ao longo de 2025, tem alternado entre máximos históricos, recuperações rápidas e desvalorizações súbitas.
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