CDM bate recorde anual com 23,8 milhões MZN em transacções, mas cai 18,91%
A Cervejas de Moçambique (CDM) protagonizou hoje 20 /11/2025 uma das sessões mais marcantes do ano na Bolsa de Valores de Moçambique, ao registar 23.863.592,50 MZN em volume transaccionado, o maior volume observado em 2025, consolidando assim a sua posição como a acção mais líquida e dominante do mercado.
Apesar do recorde de liquidez, o título fechou em queda de 18,91%, fixando-se nos 63,25 MZN. Segundo os analistas da EDUC INVEST, este movimento não está associado a mudanças nos fundamentos da empresa, mas sim a um fenómeno normal de mercado: “A descida parece estar ligada a realização de lucros após uma forte valorização nas últimas semanas, bem como a eventuais movimentos de investidores à procura de liquidez imediata. Trata-se de um ajuste técnico esperado, especialmente numa acção que vinha de um ciclo de ganhos robustos.”
A análise interna da EDUC INVEST reforça esta interpretação que a empresa apresenta rentabilidade crescente, margens significativamente melhores e um nível de eficiência operacional em franca expansão. Os indicadores analisados mostram que o ROE e o ROIC praticamente triplicaram, a margem líquida subiu de 2,46% para 7,47%, a empresa opera com dívida líquida negativa, e apresenta rácios de liquidez muito superiores aos de 2023. Além disso, a CDM encontra-se fortemente subavaliada, negociando com um P/L de apenas 5,89, um P/VPA de 0,52, e um EV/EBIT de 1.14, métricas que apontam para uma empresa com capacidade de gerar resultados muito acima do que o preço de mercado actualmente reflecte . Estes dados confirmam que a queda do dia não reflete fragilidades internas, mas sim uma reacção técnica temporária num título altamente líquido.
Nos diferentes horizontes de análise, a CDM mantém um desempenho robusto: apesar da variação diária negativa, a acção acumula 21,40% de valorização no mês e 15,00% nos últimos seis meses, continuando entre os títulos com melhor performance no mercado moçambicano. Os movimentos recentes apenas devolveram o preço ao intervalo normal de negociação, historicamente situado entre 55 e 69,95 MZN, onde o título tem demonstrado estabilidade. Nos últimos 12 meses, a CDM oscilou entre um mínimo de 35,55 MZN e um máximo de 87,00 MZN, reforçando o carácter cíclico e previsível da acção.
Mesmo após a correcção, o perfil de retorno da CDM permanece atractivo. Um investidor que tivesse aplicado 100.000 MZN há seis meses, quando a acção rondava os 55,00 MZN, teria adquirido cerca de 1.818 acções, que hoje valeriam 114.975 MZN, traduzindo um ganho acumulado de 14,97%, mesmo depois da queda mais acentuada da sessão. A combinação de elevada liquidez, fundamentos sólidos, subavaliação evidente e capacidade de atrair grandes volumes institucionais reforça a leitura de que a CDM continua a ser uma das acções mais fortes e estratégicas do mercado moçambicano.
Fonte: Bolsa de Valores de Moçambique (BVM) / Análise EDUC INVEST SA
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