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Cresce o Uso de SRTs e Sobe o Risco no Sistema Financeiro

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Os maiores bancos internacionais estão a reforçar o uso de instrumentos financeiros conhecidos como significant risk transfers (SRTs) para libertar capital e expandir as suas carteiras de crédito, numa estratégia que está a transformar de forma silenciosa a gestão de risco no sector bancário global.

A informação foi divulgada pela Bloomberg, que destaca o crescimento acelerado deste mercado e o aumento das preocupações entre reguladores. Após a crise financeira de 2008, as instituições bancárias passaram a enfrentar exigências mais rigorosas de capital, obrigando-as a manter reservas elevadas para cobrir eventuais perdas dos empréstimos existentes. Este cenário limitou a capacidade de conceder novos financiamentos, criar produtos competitivos e aumentar lucros. Para contornar essas barreiras, os bancos têm recorrido aos SRTs, mecanismos que transferem parte do risco de crédito para investidores privados, como fundos de hedge, fundos de pensão e outros actores institucionais. O processo funciona como uma espécie de seguro: o banco selecciona uma carteira de empréstimos e celebra um acordo com investidores que assumem uma parcela das potenciais perdas. Em troca, os investidores recebem remunerações superiores às de produtos financeiros tradicionais. Se os incumprimentos forem baixos, os ganhos são significativos; caso contrário, enfrentam prejuízos substanciais. Nos últimos anos, o uso destes instrumentos alargou-se a diferentes tipos de dívida, desde crédito corporativo e financiamentos hipotecários a empréstimos automóveis e activos alternativos, incluindo obras de arte e aeronaves privadas. Segundo dados citados pela Bloomberg, mais de um bilião de dólares em activos já foram abrangidos por SRTs desde 2016, com uma expansão anual prevista de mais de 10% até 2026. Bancos europeus lideram este mercado, representando cerca de 70% do volume global. Entre os mais activos estão Santander, Barclays, BNP Paribas, Erste Group, JPMorgan, Goldman Sachs e Citigroup. Contudo, à medida que o mercado cresce, aumentam também os sinais de alerta. Reguladores internacionais — incluindo o Fundo Monetário Internacional e a Comissão da Basileia — têm manifestado preocupação com o risco de estas operações mascararem vulnerabilidades estruturais no sistema financeiro. Um dos perigos apontados é a interdependência entre bancos e investidores que recorrem a crédito bancário para financiar a compra das notas de SRT. Em situações de stress financeiro, este ciclo pode devolver ao próprio sistema bancário o risco que se tentou remover, ampliando fragilidades num cenário adverso. Outro ponto crítico é a curta duração dos contratos, frequentemente limitados a três anos. Caso o mercado enfrente turbulências no momento da renovação, os bancos podem ver-se obrigados a reduzir o volume de nFonte: https://www.bloomberg.com/africaovos empréstimos, cortar dividendos ou reforçar reservas, medidas que podem travar o crescimento económico. A Bloomberg sublinha que, embora os SRTs tenham ganho relevância, o seu uso crescente exige monitorização apertada para evitar riscos sistémicos semelhantes aos observados antes de 2008. Para os reguladores, a prioridade agora é aumentar a transparência, reforçar as regras de reporte e assegurar que o rápido crescimento destes instrumentos não comprometa a estabilidade financeira global.

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