Em meio à tensão EUA–Venezuela, ouro sobe +2% e bate recorde
Em meio ao agravamento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e a Venezuela, o ouro voltou a afirmar-se como o principal activo de protecção global ao subir mais de 2% e atingir um novo máximo histórico nesta segunda-feira. O movimento confirma o regresso do metal precioso ao centro das decisões de preservação de capital num contexto de instabilidade política e incerteza estratégica.
A subida do ouro ocorreu na sequência directa dos recentes acontecimentos na Venezuela, incluindo o endurecimento da postura norte-americana e o anúncio do bloqueio de petroleiros sujeitos a sanções. Perante o aumento do risco geopolítico e energético, os investidores reforçaram posições no ouro, activo tradicionalmente utilizado como porto seguro em períodos de choque político e sistémico.
O metal precioso negociou acima de US$ 4.440 por onça, enquanto os contratos futuros nos Estados Unidos encerraram igualmente em forte alta. O comportamento observado indica que a procura pelo ouro não foi pontual nem especulativa, mas resultou de um reposicionamento estratégico, típico de momentos em que a confiança em activos financeiros convencionais é colocada em causa. A menor liquidez associada ao período festivo contribuiu para amplificar a intensidade da valorização.
O contexto geopolítico foi determinante. Num mundo ainda profundamente dependente do petróleo, a instabilidade num país que detém as maiores reservas provadas do planeta, como a Venezuela, reforça a percepção de risco global e aumenta a procura por activos que não dependem de governos, sistemas financeiros ou cadeias de abastecimento. Nesse cenário, o ouro volta a destacar-se como reserva de valor universal.
A valorização foi ainda reforçada por factores monetários. As expectativas de mudanças na liderança do Federal Reserve, actualmente presidido por Jerome Powell, alimentaram apostas numa política monetária mais acomodatícia. A perspectiva de cortes adicionais nas taxas de juro reduz o custo de oportunidade de manter ouro, enquanto a ligeira desvalorização do dólar norte-americano tornou o metal mais acessível para investidores internacionais, intensificando a pressão compradora.
A força do ouro arrastou consigo outros metais preciosos. A prata atingiu igualmente máximos históricos, acumulando uma valorização superior a 136% no ano, enquanto a platina e o paládio registaram as cotações mais elevadas em vários anos. Ainda assim, foi o ouro que concentrou a atenção como principal instrumento de protecção num ambiente de incerteza elevada.
Mais do que um simples movimento de preços, a subida do ouro acima de 2% em meio à tensão EUA–Venezuela reforça uma leitura central: o ouro voltou a ser um activo político e estratégico. Em cenários marcados por sanções, disputas por recursos e fragmentação geopolítica, o metal precioso reassume o seu papel histórico como âncora de confiança. A mensagem é clara: quando o risco sobe, o ouro lidera a procura por segurança.
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