Preço do petróleo cai para cerca de 63 dólares por barril
Os preços internacionais do petróleo prolongaram a trajectória descendente, negociando em torno dos 63 dólares por barril, num movimento que reflecte a redução acentuada do risco geopolítico e o regresso do mercado a uma leitura mais racional dos fundamentos económicos. A queda surge depois de uma correcção superior a 3% na sessão anterior, apagando quase totalmente os ganhos registados no início da semana.
O recuo dos preços foi desencadeado por sinais de desanuviamento político, após declarações do Presidente dos Estados Unidos indicarem menor probabilidade de uma intervenção militar directa no Irão. Com o enfraquecimento desse cenário, os investidores começaram a retirar rapidamente o prémio de risco geopolítico, que havia empurrado o petróleo para níveis próximos dos 67 dólares por barril, o valor mais elevado desde Setembro.
Sem uma ameaça imediata à produção ou às rotas estratégicas de abastecimento no Médio Oriente, o mercado voltou a concentrar-se nos dados concretos de oferta e procura, que continuam a apontar para um quadro relativamente confortável. A OPEC reiterou recentemente que o mercado deverá manter-se equilibrado em 2026, com crescimento moderado da procura global e ausência de constrangimentos estruturais do lado da oferta.
A pressão descendente sobre os preços é reforçada por indicadores provenientes dos Estados Unidos, onde os inventários de crude e de produtos refinados permanecem elevados, sinalizando uma procura interna menos dinâmica no curto prazo. Este excesso relativo de stocks limita a capacidade de recuperação dos preços, sobretudo num contexto em que a produção global se mantém robusta.
Em paralelo, surgem sinais de oferta adicional no mercado internacional, com alguns produtores a aumentarem gradualmente as exportações, contribuindo para um ambiente de abundância de crude. A combinação entre inventários elevados, produção resiliente e crescimento económico global moderado cria um enquadramento pouco favorável a uma valorização sustentada do petróleo.
Do ponto de vista financeiro, analistas consideram que o crude deverá continuar a negociar dentro de um intervalo relativamente estreito, com oscilações condicionadas sobretudo por eventos geopolíticos de curta duração e pela divulgação de dados macroeconómicos, como inflação, crescimento e política monetária nas principais economias.
Para os países importadores líquidos de energia, incluindo várias economias africanas, este nível de preços representa um alívio importante sobre os custos de importação e a inflação, contribuindo para maior estabilidade macroeconómica no arranque de 2026. Em contrapartida, para os exportadores de petróleo, a manutenção do crude próximo dos 60–65 dólares por barril limita a margem de manobra fiscal e externa, num contexto de crescimento global ainda contido.
Em síntese, a queda do petróleo para a zona dos 63 dólares por barril sinaliza um mercado que, na ausência de choques geopolíticos relevantes, permanece ancorado aos fundamentos, com abundância de oferta e procura controlada a ditarem o ritmo dos preços no curto prazo.
fonte: https://opais.co.mz/
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